Roberto dos Santos nasceu em 21 de setembro de 1909 e veio a falecer em 3 de setembro de 1970, estando sepultado hoje no Cemitério da Saudade em Piracicaba.
Filho de Manoel dos Santos e Guiomar Ribeiro dos Santos, portugueses para cá emigrados no início do século XX, nasceu no então distante bairro do Bongue, perto do Rio Piracicaba.
Teve infância bastante atribulada e chegou a ser considerado "garoto problema" por todos que o conheciam na época, dado às traquinagens que fazia. Contudo, nos dias de hoje, seria considerado um "garoto normal", talvez um tanto levado.
Começou a trabalhar muito cedo, aos nove anos de idade, na fábrica de bebidas D'Abronzo, período sobre o qual tinha péssima memória, carregada de revolta, especialmente pelo fato de que ficava mergulhado até a cintura em água para lavar os frascos, das 7 às 17 horas. Segundo relatava, isso lhe valera uma bronquite mais ou menos severa para o resto da sua vida.
Fez apenas até o segundo ano do curso primário no então Grupo Escolar Barão do Rio Branco, tendo deixado os estudos para iniciar-se na vida de trabalho aos nove anos de idade.
Ao atingir a idade de adolescente, passou a dedicar-se à marcenaria, empregando-se então na Fábrica de Móveis Nardin, que ficava atrás do Mercado Municipal.
Nessa atividade, que o acompanharia profissionalmente por toda a vida, encarava o seu trabalho "como se fosse um artista dando formas a matérias brutas", e assim sempre se referia ao seu trabalho durante toda a sua vida. É de sua lavra a caixa do órgão da Igreja dos Frades, produzida na década dos anos quarenta, bem como as poltronas que eram usadas na Câmara Municipal de Piracicaba, tudo feito à mão, uma por uma, com enorme carinho e dedicação. Produziu ainda lápides funerárias em mármore, que se encontram no Cemitério da Saudades. Na sua profissão, realizou obras de confecção de barcos, escadas em espiral, entalhes, etc.
Aos 25 anos (1934) casou-se com Lúcia Guidolin, filha mais velha do casal Ernesto Guidolin (italiano) e Tereza Müller Fischer (de origem germano-austríaca), residentes no bairro dos Alemães. Ambos tinham muitos irmãos, seis cada um.
Do casamento nasceram dois filhos: Wlademir dos Santos e Wladir dos Santos, que realizaria o Sistema de Ensino Modular Intensivo e Excludente, cuja funcionalidade permitiu que se reproduzisse em mais de vinte mil escolas no território nacional em pouco mais de nove anos.
O casal residiu inicialmente à rua Riachuelo (bairro da Paulista, onde nasceu o primeiro dos filhos), mudou-se para Rua Regente Feijó (onde nasceu o segundo filho) e vindo depois para a R.João, perto da Escola Normal Sud Mennucci. Em 1940 a família se mudou para a Rua Prudente de Moraes onde permaneceu até o final da existência.
Roberto dos Santos era mais conhecido como "Álvaro", nome de batismo, por ter sido ele no início da Primavera de 1909, só para lembrar de "árvore".
Em 1948, depois de ter trabalhado alguns anos na Marcenaria Monfrinato, montou nos fundos da sua residência uma pequena fábrica de móveis, que em data incerta foi registrada como sendo Fábrica de Móveis Santa Helena, que a partir de 1958 passou a produzir apenas materiais escolares para o Método Montessori de Ensino, tendo mesmo chegado a exportar esse material e concorrer com as fábricas internacionais tanto em preços como em qualidade, superando-as de longe neste aspecto, embora com as limitações da tecnologia ao seu dispor. Foi o primeiro fabricante desse material no Brasil, responsável direto pela criação de perto de três mil escolas em nosso território.
Além das artes produzidas em madeira, Álvaro era um incrível artista plástico, tendo sido nisto também auto-didata. Durante sua vida toda fêz apenas alguns quadros, um dos quais estamos trazendo aqui. Dos seus quadros nunca fez qualquer exposição pública, não obstante existissem muitas pessoas insistindo com ele para tal. O notável pintor Archimedes Dutra tinha pelo seu trabalho especial carinho, e confidenciava aos amigos mais íntimos que "...o Álvaro é um dos melhores retratistas que já conheci...".